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Produção de ovos de chocolate por detentos de Parauapebas auxilia na renda familiar


Nesta semana ocorre a celebração da páscoa. E com a data a procura por ovos de chocolate cresce. O produto deverá movimentar R$ 2,8 bilhões em vendas este ano, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). E nesse mesmo contexto, reeducandos da Carceragem de Parauapebas concluíram na última sexta-feira (7), o curso de processamento de chocolate. No total, 25 detentos participaram das aulas que começaram na última segunda-feira (3).
O curso foi promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Sindicato dos Produtores Rurais de Parauapebas (Siproduz), em parceria com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe). Este já é o segundo curso realizado na unidade, o primeiro foi de panificação.
Com carga horária de 40 horas-aulas, os internos conheceram os melhores chocolates para trabalhar, como fazer pirulitos, bombons regionais e os tradicionais ovos de chocolate, além de cuidados com a higiene para o manuseio dos produtos, melhores horários para a produção, tempo de refrigeração, dicas para o ponto ideal e embalagem do produto, além de técnicas de marketing e vendas.
Marquejanes da Silva Moura, de 35 anos, sabe muito bem que cozinha não é lugar apenas de mulher. Ele trabalhava como pizzaiolo quando estava em liberdade e na sua casa quase sempre era o responsável pelas refeições. Ele foi um dos alunos mais dedicado e participativo.
“Eu achei ótima a iniciativa e a cada dia a gente aprende mais. É bom também porque quem está lá fora (em liberdade) pensa que aqui só tem gente que não presta e improdutiva, e não é bem assim. A gente tá aprendendo pra quando sair sermos pessoas melhores”, afirmou.
Com baixo investimento e retorno rápido, a instrutora do curso Dinair Lima Silva alerta para a venda de chocolates durante todo o ano e não apenas no período da páscoa. “O curso dá a possibilidade para eles entrarem no mercado de trabalho, sustentar a família e não voltar pro mundo do crime. O período da páscoa é excelente para as vendas de ovos, seja o tradicional ou o recheado, mas depois podem investir nos bombons caseiros com diversos recheios como beijinho, brigadeiro e cupuaçu, e eles aprenderam a fazer todos. Todos estão aptos para trabalhar com o chocolate. Com apenas vinte reais já é possível começar um bom negócio”, ressaltou.
Apreciador de chocolate, o detento César Lima Nonato disse ser fácil a produção, e que o difícil mesmo é conter a vontade de comer. “O problema maior é eu não comer. Lá fora eu chegava a comprar 30 bombons, só não sabia que dava pra ganhar um bom dinheiro. Agora eu sei que gasta pouco e tem um lucro bom. É uma oportunidade de trabalhar até conseguir algo melhor, e quando estiver trabalhando, dá até pra conciliar”, afirmou.
O diretor da carceragem, Murilo Souza, aposta em cursos de capacitação para dar aos custodiados uma nova oportunidade de vida e ajudar as famílias que ficaram do lado de fora. “Os cursos são importantes por estar ocupando a mente deles, profissionalizando e dando a chance de quando eles estiverem em liberdade trabalharem por conta própria para garantir o sustento da casa. Enquanto eles não saem, fazemos este trabalho e procuramos parcerias para que eles gerem renda mesmo estando presos. Toda a renda arrecada é dada para a família e um percentual é usado para a compra dos materiais utilizados por eles para a produção”, explicou.
Na cidade já existem interessados para a compra dos ovos de páscoa. A Pastoral Carcerária, ligada a Igreja Católica já fez a encomenda dos ovos de chocolate que serão doados a crianças carentes. “Este é o nosso objetivo: ver o interno como uma pessoa que possui direitos e que é capaz de produzir, e os resultados estão sendo ótimos”, destaca o parceiro e representante do Senar e do Siproduz, Aécio Leite.
Reportagem: Timoteo Lopes, com colaboração de Aline Saavedra

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